domingo, 17 de maio de 2020

Pilates versus Batata Doce


Bem que poderia ser contado como uma luta.


De um lado o Pilates, representado pela simpática professora, do outro a Batata Doce, representada pelo Arobil que com esse nome poucos conhecem, mas como botão, rosquinha, arruela, todos já sabem do que estou falando.

E assim começa a disputa.

Tinha tudo para ser um dia legal, rotina legal, hora legal e lá estava eu como sempre pontual para a aula também legal de Pilates.

Alongamentos a serem iniciados e me posiciono antes de fazê-los, ficando deitado no chão procurando da melhor forma possível, de colocar toda a extensão da coluna em contato com o chão.

Até aí, tudo bem.

Seguindo a sequência recolho as pernas colocando-as para cima e dobando os joelhos como se deitado, estivesse sentado numa cadeira.

Até aí, tudo bem.

Após alguns minutos nesta posição, algo começou a me chamar a atenção.

Um barulho começou a aparecer da região abdominal típica daqueles pré aviso de distúrbio na região.

Até aí, já não parecia estar tudo bem.

Sem ainda analisar muito bem o que estava acontecendo, ouço a voz da professora:

- Pronto? 

- Esse alongamento vai durar a manhã toda?

Devidamente advertido, me foi passado algumas orientações dos exercícios iniciais que deveria fazer.

Comecei a pensar o motivo causador e me veio logo de que naquela manhã, havia comido no café uma porção generosa de Batata Doce.

A batata doce é um alimento bastante consumido com inúmeras vantagens para o nosso organismo, porém está entre alguns dos alimentos mais causadores de gases.

Bom, gases a parte, o ambiente que fazemos o Pilates não é grande, mas é o bastante para a acomodação tranquila de 6 pessoas e mais a professora que agora já começava a vê-la como adversária.

Ambiente com todas as suas ocupações preenchidas o que me deixou mais ainda preocupado, além do mais, Neuza (a patroa) participava também neste mesmo horário das aulas.

O tempo ia passando, passando, as posições dos exercícios iam ficando mais exigentes.

Comecei a fazer uma parceria com o Arobil, mas já sabia e era quase uma certeza de que estava literalmente nas mãos dele, se é que tem mãos ou quando nada nos dedos tipo aquele sinal de OK agora bem fechadinho.

O Arobil se esforçava e até então não passava nada e acho que nem sinal de WI-Fi.

O Pilates a cada troca de exercícios, com aparelhos, depois sem aparelhos forçava mais e já começava a ficar desesperado.

Uma coisa é certa, que com a idade a flacidez no corpo em bem perceptível contudo em alguns lugares felizmente não são tão visíveis assim.

E essa aula que não acabava, parecia que o tempo havia parado e o meu desespero aumentava.

Comecei a pensar já numa maneira de disfarçar o que a cada momento parecia se inevitável.

Soltar uma flatulência, ou seja, um pum poderia ser um desastre e mais desesperado eu fico até por não saber das suas proporções acústicas o que causaria um grande constrangimento.

Já pensou se acontecesse o indesejável como ficaria conhecido e as brincadeiras?

Lá vem o peidão;

Ou então,

Tampem o nariz que o peidão chegou,


E tome-lhe exercícios, o Pilates massacrando.

A professora já não era mais tão simpática assim.

O nocaute parecia eminente.

Quando de repente, ouço aquela voz ao fundo:

- Pode se alongar.

Achei que teria sido salvo pelo gongo, mas ainda sem ficar totalmente de pé, a professora diz:

- Não é com o senhor, é com ela que começou primeiro.

- O senhor ainda terá que fazer mais um.

Já estava literalmente nas cordas, praticamente sem reação e totalmente nos dedos do OK, lembra?

Finalmente aos trancos e barrancos consegui concluir a sequência e fui liberado para fazer os alongamentos finais.

Logo em seguida tem uma curta seção de massagens feita pela professora num aparelho chamado de Ladder Barrael (Barril Escada) onde literalmente você fica curvado para que ela possa fazer manipulações ao longo das suas costas.


Ladder Barrel - Barril Escada

Vendo a imagem do aparelho dá para perceber o grau de compressão que iria ocorrer na região abdominal sem contar com a quase total explicites do arobil se eu não estivesse é claro, vestido.

Felizmente, para a finalização da aula, este procedimento pode ser abortado a depender da desculpa que você possa dar.

Como a patroa que participa da aula também no mesmo horário e já havia concluído, joguei a responsabilidade para ela e disse:

- Professora, ela tem um compromisso e por isso não vou puder fazer.

Ela me respondeu:

- Tudo bem, então até a próxima aula.

Após cumprimentarmos a todos, déssemos a escada em direção ao estacionamento e atendendo a suplicantes pedidos da patroa, seguimos para casa com os vidros do carro totalmente abertos.

Como a batalha se deu nas dependências da sala de aula do Pilates, entendo que o Arobil ganhou, mas se houvesse alguma prorrogação até a chegada em casa, teria perdido, e feio.

E olha, bota feio nisso.

Quando nada fica o alerta a vocês, pelo ao menos no meu caso, Pilates e Batata Doce não combinam.


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