domingo, 3 de maio de 2020

Maratona de Salvador - 2019



Dia 15 de novembro de 2019.

Essa história começou bem antes desta data.

Estava eu em São Paulo para participar da SP City Marathon onde faria o percurso só dos 21 km que era a outra opção do evento.

Meu objetivo era fazer uma avaliação do meu desempenho e como um dos preparativos para a Maratona de Salvador.

Neste evento, ano passado participei da Maratona e consegui depois de nove traumáticas e divertidas tentativas consegui o meu sub 4h.

A corrida teve como largada na Praça Charles Muller (Estádio do Pacaembu) e a chegada no Jóquei Club.

Era uma manhã fria, mas dentro do esperado, visto já ter participado inúmeras corridas nesta capital e não me seria mais novidade.

Em São Paulo, sempre contamos com a companhia de minha amada cunhada Graça que reside na cidade e como já de costume, na véspera fica hospedada no mesmo hotel afim de nos fazer companhia e dá suporte caso necessário. 

Já virou tradição.

Normalmente, quando a largada e chegada são no mesmo local e tem a opção de percurso menores, minha querida e amada Neuza participa das provas, mas nesta corrida não foi possível.

Em são Paulo e até em outros lugares, sempre rola um stress por conta do horário da liberação do café da manhã no hotel, contudo sempre se dá um jeito.

Tudo dentro dos conformes, dia da prova e eu já estava pronto para largada.

Devidamente aquecido, me posicionei no melhor lugar possível e foi dado a largada.

O percurso já era conhecido, pois ano passado havia feito a prova por completo, ou seja, os 42 km.

Segui num ritmo crescente obedecendo as orientações finalizando os 21 km em 01:41:37, tempo que me deixo bastante satisfeito.

O resultado existe por diversos fatores, mas o treinamento é fundamental.

Neste período já estava fazendo parte como aluno de uma assessoria esportiva a MAXIMUM SPORTS tendo com treinador JP – João Paulo – Samurai e como facilitador é atleta também e com vasta experiência.

A maioria das provas que participo em outros estados, normalmente são de bate e volta, ou seja, saindo na sexta-feira a noite e retornando no domingo à noite.

Já em Salvador, foi trabalhar normalmente na segunda-feira sem incômodos significativos além das dores musculares que normalmente sentimos após uma prova longa.

Na terça, havia o treino da assessoria e por está trabalhando fiz a noite no Farol da Barra com o grupo da Maximum.

Por ter corrido no final de semana apenas um leve trote, percebi um ligeiro incomodo da coxa esquerda que após o aquecimento desapareceu.

Esse incomodo foi persistindo com os treinos seguintes e que sempre aliviava após o aquecimento e depois foi se agravando e mesmo aquecido persistiam. 

Neste período cheguei a participar de algumas provas a base de analgésicos, mas não tinha jeito.

JP me orientou a procurar um Dr. o qual não me recordo o nome e que após insistentes contatos não consegui atendimento. 

A prova alvo de 2018 seria a Maratona de Salvador, mas a essa altura do campeonato, fui aconselhado por JP a não fazer.

Refleti, refleti e não foram poucas vezes, mas conclui de que se pago uma assessoria para me orientar e maratonas ainda teremos aos montes, acatei a orientação extremamente frustrado.

Breve observação:

Aos que me conhecem a pouco tempo, faço parte de uma grupo onde em Salvador tivemos um projeto para se ter uma Maratona  (Pró Maratona) liderado pelo Roberto da Encarnação onde numa da Meias Farol a Farol, fizemos o percurso de sairmos do Farol da Barra sentido a Itapoan ainda ao amanhecer para largarmos juntamente com os demais atletas na Prova Oficial que seria do Farol de Itapoan até o Farol da Barra como uma forma de protesto, isso em 02/10/2011.

Vale salientar que este acontecimento foi uma das grandes emoções que a corrida me proporcionou até então.

Ele me sugeriu então a procurar a Thainá que é fisioterapeuta e é corredora aqui da Assessoria, o que fiz após a realização da Maratona de Salvador.

Thainá é um capítulo à parte.

Antes tinha feito ressonância e atendimento com médicos que detectaram uma inflamação sendo que no exame de ultrassom nada havia sido identificado.

Embora ter tomado algumas medicações, após o efeito passar, o incômodo voltava.

Até aí se é que posso dizer, tudo bem.

Agendamento feito parti ainda meio desconfiado para o atendimento na Effective e após quatros sessões estava curado.

Não foi fácil, foi sofrido, mas valeu a pena.

O atendimento com um profissional qualificado e com um facilitador que é praticante de esporte e muito importante.

Muito capacitada, didática e paciente, Thainá com alguns golpes se assim posso definir foi neutralizando aquilo que era o meu maior algoz.

Fiquei curado e segui mantendo o tratamento, mas agora como uma forma de prevenção e alguns ajustes posturais e de mobilidade.

Voltando a Maratona de Salvador que já era, e o que me restou foi a troca da inscrição da Maratona para o percurso dos 10 km.

Agora é que começa a história.

Toda Maratona tem a sua importância e principalmente a daqui.

Não participar, tinha um sabor muito amargo.

A maratona em Salvador, mais cedo ou mais tarde iria acontecer, contudo o Movimento Pró Maratona teve a sua importância pelo ao menos de chamar a atenção de que em Salvador tinha um grande potencial, visto ser uma capital que a cada ano crescia o número de atletas admiradores da corrida.

Dia 15 de novembro de 2019.

Já no sábado final da tarde véspera da corrida, estávamos nas imediações da largada, pois havia feito uma reserva num hotel com bastante antecedência como facilitador da logística para a maratona e resolvi não fazer o cancelamento.

Neuza, minha amada faria o percurso dos 5 e eu os 10 km.

O pensamento do que iria fazer no dia, já estava premeditado, pois como não faria a maratona pelo ao menos gostaria de dá uma força para os amigos que fossem participar e mais especificamente uma pessoa.

Após concluída a minha prova, acompanhei Neuza até o hotel, e parti ao encontro do meu principal objetivo do dia.

Segui pela orla em direção ao retorno do que seria a volta para segunda parte da maratona onde no caminho encontrei diversos amigos.

Devagar segui e mais amigos e amigos.

Foram passando, Largo da Mariquita, Amaralina, Jardim dos Namorados, jardim Alah e mais especificamente entre o trecho que liga Jardim Alah ao Aero Clube hoje Centro de Convenções, avisto o que seria o símbolo de tudo que gostaria de ter feito naquele dia.

Camiseta da Maximum acompanhada de um fiel escudeiro numa bicicleta que depois vir a saber que se tratava de um preparador que já a acompanha por algum tempo.

Ali estava ela, e a pouco metros me veio o pensamento de que como seria aceito, pois estava a pouco tempo na assessoria e não tínhamos muito contato.

Mas, como o mais importante era não o que eu poderia ser para ela, mas sim o que ela representara para mim.

Me aproximei e se não disse, pensei:

- Vim aqui te buscar.

Estava muito emocionado.

Por não termos muito contato, imagino ela não poderia entender direito e o que levaria  uma pessoa querer acompanhar a outra ainda tão distante do fim da prova.

E assim seguimos um ao lado do outro e a cada quilômetro conquistado tenha a certeza de que aquela efetivamente era a pessoa que simbolizava o espírito de uma verdadeira maratonista.

Ritmo comedido mais sempre firme e aos poucos formos nos conhecendo melhor e até descobri de que ela era irmão do cirurgião que operou os meus pés o Dr. Daniel.

Quilômetros e mais quilômetros foram se passando e a chegada se aproximando.

O Farol da Barra já estava a vista e nas proximidades do Barra Vento um grupo de atletas da Maximum estavam a esperar para acompanhá-la até a chegada, aquela, que seria a próxima Maratonista, a maratonista que me proporcionou um dos momentos mais emocionantes que a corrida me deu.

Neste momento, após a chegada dos atletas do grupo, discretamente me despedi dela e do seu fiel escudeiro e me afastei extremante emocionado e vendo seguir aquela firme e determinada mulher com destino a linha de chegada.

Com os amigos da Maximum Sports

Não tinha noção do esforço que fiz, mas foi o que menos me importava e só tinha uma certeza de que corri ou melhor correram por mim a Maratona de Salvador.

Depois, registrei uma mensagem o que ela foi capaz de me proporcionar e gentilmente me respondeu onde fiz questão de imprimir e guardar num porta retrato que deixo junto aos poucos troféus que tenho.



Tenho a certeza,  que nenhum deles tem a importante e a representatividade do que efetivamente passei no dia 15 de novembro de 2019.

O número dela foi o 0191 e se chama Lis Sadyghski, a quem sou eternamente grato.







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